Impulso

por Júnior Ahzura, 2018

 

Trabalhar com fotografia foi uma consequência em minha vida. Nascido em um lar cercado por câmeras, a mídia se tornou rotina em todo meu desenvolvimento social e futuramente profissional. Filho de figuras públicas marcadas pela consciência coletiva brasileira, buscava nos bastidores situações propícias para o silêncio. Silêncio esquivado por flashes, entrevistas e camarins. Com tudo, passado alguns anos, percebi que a referência mais forte em minha produção está conectada com as experiências vividas através da conturbada mídia.

No ano de me matricular em um curso de graduação a vontade de me comunicar veio à tona. Comunicação, propaganda e criação foi o curso escolhido e concluído. Anos sendo treinado para influenciar pessoas, criar desejos e instigar consumidores, me expandiram a percepção sobre o poder das imagens.  

Poder este que amplia conhecimento, sugere reflexões e que coloca a realidade em dúvida. As imagens nos cercam e brincar com elas é o que me fascina. Ora uma perspectiva de uma auto-referência, ora a distorção imagética criada e difundida, me apego a diversidade de elementos para transmutar o sentido de comunicar.

Fotografia além de figurativa me permite destruir o legível. Performance também é imagem, também é experiência. Vídeo  se une ao inconsciente num presente absorto à leitura. Colagem, nova empreitada visual, me faz querer manipular mais ainda. Hoje percebo a forte presença das linguagens citadas, mas que além disto, me abrem diálogos a novas formas de me comunicar.