TEXTOS

Análisis del canal de Youtube: https://www.youtube.com/user/juniorahzura/videos
#FRACASSOSDEUMYOUTUBER

Guillermina Bustos, 2019

 

No existe momento de nuestra vida en que no recurramos a la teatralización, aquella utilización eficiente de la retórica de los signos que administran nuestro cuerpo, en tanto que materia, y como esté se relaciona con otros objetos materiales (otras cosas, otras personas, etc). 

 

Es esta retórica que hemos aprendido a utilizar para vivir en sociedad, las conductas que reiteramos para significar lo que nuestros pares entienden como apropiado, útil y verdadero; nuestra performatividad. Esta sociedad no es cualquiera, es en la que hemos nacido: nacemos en un idioma, en una determinado régimen de creencias e ideologías. Hemos sido educados para que nuestro comportamiento se encuentre alineado a lo esperable y aceptable, la mayoría de nuestras acciones se corresponden a un deseo de pertenencia y aceptación.

 

A partir de los procesos de globalización, las redes y el despliegue de la tecnología de la imágen existe ya un repertorio común, que ha construído y multiplicado la posibilidad normada de la enunciación individual, sin distinguir calidad, desde plataformas masivas fácil acceso (youtube, facebook, twitter, etc.).

 

Me enuncio así desde los parámetros previstos con la esperanza de ser escuchado, visto, seguido y reconocido; no me expongo para ser rechazado. Siempre le hablamos a alguien, a quien ya le hemos calculado su respuesta. Así es que creemos que recurrimos a cierta forma del  selfdesing, donde aparentemente decidimos, siempre actuando dentro los límites estructurados que habilitan las plataformas, nuestra selfiction. 

 

Pero qué ocurre cuando utilizamos estas plataformas desde el arte contemporáneo? Somos capaces de hacer evidente la retórica de la impostación que se encuentran en todos nuestros actos, y proponer la exploración de otras formas retóricas, que atravieses la educación de nuestro cuerpo, nuestra percepción y nuestro estar en el mundo. Somos capaces de exhibirnos sin esperar el reconocimiento, porque la alteración de nuestra performatividad nos vuelve ineficientes, pero potenciales auditores de los órdenes establecidos. 

 

Así puede ser leído el canal de Youtube del artista Junior Ahzura, ya sea desde su video blogger, el vogue, su streap-tease em blur o sus experimentaciones visuales. Su canal funciona como una revisión y puesta a prueba de los límites del formato, señalando sus clichés y sus posibilidades, mostrándonos de qué manera puede ser usado como una herramienta para la exploración de la propia construcción subjetiva.

Textos relacionados y referenciales

 

> Bustos, Guillermina. el orador indisciplinado. performatividad en la obra de Jorge Bonino. 2014. Disponivel em: http://www.guillerminabustos.net/sitio/2014/11/23/el-orador-indisciplinado-performatividad-en-la-obra-de-jorge-bonino/

> Butler, Judith. Cuerpos que importan.1993

> Sepúlveda T., Jorge. SELF FICTION. 2009. Disponivel em: http://www.curatoriaforense.net/niued/?p=302

> Taylor, Diana; Fuentes, Marcela. Estudios Avanzados de Performance.2011. . 

Impulso
Júnior Ahzura, 2018

Trabalhar com fotografia foi uma consequência em minha vida. Nascido em um lar cercado por câmeras, a mídia se tornou rotina em todo meu desenvolvimento social e futuramente profissional. Filho de figuras públicas marcadas pela consciência coletiva brasileira, buscava nos bastidores situações propícias para o silêncio. Silêncio esquivado por flashes, entrevistas e camarins. Com tudo, passado alguns anos, percebi que a referência mais forte em minha produção está conectada com as experiências vividas através da conturbada mídia.

No ano de me matricular em um curso de graduação a vontade de me comunicar veio à tona. Comunicação, propaganda e criação foi o curso escolhido e concluído. Anos sendo treinado para influenciar pessoas, criar desejos e instigar consumidores, me expandiram a percepção sobre o poder das imagens.  

Poder este que amplia conhecimento, sugere reflexões e que coloca a realidade em dúvida. As imagens nos cercam e brincar com elas é o que me fascina. Ora uma perspectiva de uma auto-referência, ora a distorção imagética criada e difundida, me apego a diversidade de elementos para transmutar o sentido de comunicar.

Fotografia além de figurativa me permite destruir o legível. Performance também é imagem, também é experiência. Vídeo  se une ao inconsciente num presente absorto à leitura. Colagem, nova empreitada visual, me faz querer manipular mais ainda. Hoje percebo a forte presença das linguagens citadas, mas que além disto, me abrem diálogos a novas formas de me comunicar.

Para Arbus: O lugar de poder do corpo marginal

Matheus Mendonça, 2016

 

O estranhamento, a repulsa, a violência e a curiosidade estiveram sempre misturadas de forma confusa quando se trata do que foge minimamente do padrão vigente na vida social. O corpo esteve, desde sempre no cerne desse comportamento de estranhamento. Basta um pequeno desvio irrelevante para que o mesmo se torne marginalizado, para que seja colocado em segundo plano, retirado da normalidade. O corpo freak perde, devido a este fenômeno de marginalização, a individualidade e a liberdade.

A série de seis autorretratos do artista paulistano Júnior Ahzura, nos leva a uma reflexão sobre o lugar de poder do corpo marginal, sobre a resistência da individualidade em meio ao culto da normalidade compulsória. Dedicada a Diane Arbus, (fotógrafa novaiorquina dos anos 60, cujas objetivas estiveram sempre apontadas ao universo freak, retratando anões, homossexuais, pessoas com deficiências físicas e todos os tipos de corpos submetidos ao julgamento higienista e exotizador da sociedade ocidental) a série está carregada de empoderamento.

Ao retratar-se nua, a figura freak quebra as correntes e restrições que são tradicionalmente impostas ao corpo na vida social e na tradição artística. O nu, na história da arte, sempre buscou representar o corpo atlético e heróico da antiguidade clássica. Em Para Arbus, o corpo marginal se representa enquanto corpo heróico, porém, um diferente tipo de heroísmo: a resistência. As deformidades na imagem conferem a este corpo uma aparência que beira o mitológico, o fantástico. A figura freak confere a si mesma um poder que reside na sua própria configuração corporal. O poder de ser muitos, de ser vários, de quebrar as correntes pesadas e normativas. Sendo o agente ativo, o dono de sua própria representação, o corpo freak confere um poder à sua imagem que nenhum outro indivíduo forasteiro à vivência das marginalidades poderia conferir. Como se os códigos vigentes na arte não funcionassem. Como se a rejeição, a violência e o estranhamento fossem os códigos necessários para essa representação.